quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Na Natureza Selvagem


Há uns dois anos, ouvi falar desse filme. Lançado em 2007, sob direção de Sean Penn e com Emile Hirsch no papel principal. Tenho uma lista – literalmente – de filmes que gostaria de ver e o coloquei nela sem pretensão, apenas porque ouvi falar e achei que poderia ser legal, mas quando olhei a ficha técnica e vi que a duração do filme é longa, fiquei apreensivo. Filme longo tem que ser muito bom, senão fica aquela sensação frustrante de que você perdeu parte do seu dia por nada. Poucos dias antes do “estalo” sobre o mochilão, resolvi arriscar e baixei Into the Wild. Mal sabia que seria minha alavanca e um dos melhors filmes que eu já assisti.

 
O filme, baseado no livro homônimo de Jon Krakauer, que aliás, tem alguns livros que parecem ser muito legais, trata da história real do jovem Christopher McCandless. Um americano que não suportava a hipocrisia e o materialismo da sociedade ao seu redor, até mesmo dentro de sua família, e após se formar doa toda a grana que tinha no banco pra caridade, queima os documentos e o dinheiro que tinha no bolso, “muda” o nome para Alexander Supertramp e sai pelos EUA rumo ao Alasca, sem comunicar ninguém. Ele buscava viver da forma que acreditava ser melhor, desprendido de todo bem material e superficialidades.

Em sua viagem, McCandless, ou Supertramp, atravessa vários estados norte-americanos, de carona e conforme conseguia, trabalhando apenas para sobreviver, em troca de comida e lugar pra passar as noites. Em sua jornada, vai ao México, volta aos EUA, passa alguns dias com uma comunidade hippie e seu último relacionamento social, é com um senhor que o “adota” como neto pelo tempo em que passam juntos. Por fim, alcança seu objetivo: o distante e gelado Alasca. Apesar de toda o desprendimento da vida que levava antes, McCandless estava sempre acompanhado de Thoreau, Tolstoi e outros autores.
Com um final surpreendente e emocionante, não há quem não queira, mesmo que por 15min., fazer o mesmo que Christopher McCandless fez entre 1990 e 1992. Apesar de, ao meu ver, ter sido radical em sua atitude, é indiscutível que sua história seja inspiradora, instigante e admirável.

Digo que o filme me serviu de alavanca, porque foi como o momento ápice em que algo me dissesse “há um mundo maior do que esse em que você vive”. Sem a pretensão de filosofar, ou dar uma de psicólogo, mas acredito que todos vivamos dentro de nossas bolhas, onde o preconceito, o achismo e o conformismo nos impedem de tentar expandir, ou mesm romper esse invólucro.

Já li muitas críticas negativas sobre a atitude de McCandless, basicamente “Como o cara larga uma vida segura em busca de algo subjetivo?! É loucura.” Como eu disse, não faria exatamente igual a ele, porque penso e enxergo as coisas de forma mais branda, mas minha mente me questiona, “porquê não? Por que não buscar uma vida que te deixe feliz, ao invés de aceitar o que te impõem? Ser rico e ostentar suas conquistas! Para quê afinal?”.
McCandless foi corajoso o suficiente para responder a essa inquietação, sensível o bastante para deixar que seu coração o guiasse e louco o suficiente para fazer o que tinha em mente, mas sobretudo, foi autêntico. O filme mostra que ele também descobriu algumas falhas em sua forma de pensar, alguns equívocos, o que o torna, para mim, ainda mais admirável.

Christopher McCandless em sua "residência" no Alasca
A minha intenção, já citada em outra postagem, de viver em algum lugar desconhecido, com pessoas e culturas inimagináveis para mim, é justamente buscar essa sensibilidade na percepção de mundo, de humanidade. É viver, aquilo que eu acredito quando penso em parar de olhar para o meu umbigo, olhar para frente e então enxergar os rostos de outras pessoas, não me deixar corromper pela sociedade que me rodeia. O homem é falho, e eu não sou hipócrita de dizer que sou incorruptível, por isso, talvez o afastamento da minha realidade, porá em prática meu lado Supertramp. Algo que o incomodava e a mim incomoda, é o individualismo e egoísmo das pessoas, como diz meu irmão “Nego só quer saber do vinde a mim.”

Mas, quem sou eu?! vai que eu estou errado não é?

Recomendo muito o filme, a trilha de Eddie Vedder, o vocalista do Pearl Jam, é incrível e a história te fará pensar em várias coisas. Depois talvez você concorde com a visão do cara ou com a minha. Talvez não. Seja qual for o resultado, acredito que terá feito você exercitar o refletir, o ponderar, e é isso que te torna um animal racional.

6 comentários:

Torremo_MH disse...

Eu acho que, uma pessoa que nunca teve um pouquinho de vontade de fazer o q ele fez (mesmo não sendo tão radical quanto ele) e que o critica, tem problemas...e eu tenho medo dessas pessoas!

“Nego só quer saber do vinde a mim.” - Pois é, o mundo, a humanidade, só tem um problema, apenas um: egoísmo. Todos os outros (guerra, assassinatos, estupros, roubos, preconceito...) são derivados do egoísmo.

Sobre a duração dos filmes q vc disse no começo, eu penso o contrário, gosto de filme com no mínimo 2 hrs de duração e tenho medo de filme de 1h30m... hauhauahauha!
Meu pensamento é o seguinte: é impossíovel fazer um filme com mais de 2 hrs sem trabalhar a história. Ou seja, qto maior o filme mais trabalhada a história tem q ser, o que aumenta a possibilidade da história ter qualidade. Não to dizendo q todo filme grande é bom, mas a possibilidade de ser é maior....
Já os filmes de 1h30m seguem os padrões hollywoodianos de um besteirol. Também não estou dizendo q todos os filmes curtos são ruins, já assisti muito filme de 1h30m que são muito melhores q filme muito comprido.
É tudo uma questão de estatística.

Leonardo Belançon disse...

"e eu tenho medo dessas pessoas!" UAHAUHAUAHAUHA

"a humanidade, só tem um problema, apenas um: egoísmo. Todos os outros (guerra, assassinatos, estupros, roubos, preconceito...) são derivados do egoísmo."
Concordo plenamente!

Em relação a duração de filmes, sua opinião faz todo sentido. Por exemplo filmes baseados em livros são legais até que você leia o livro e perceba que na verdade, o filme é uma bosta comparado à obra escrita. Isso porque os caras têm que fazer caber 500 páginas em menos de 120min. por exemplo, e aí fodem com os detalhes, a riqueza nas descrições da cena, diálogos e tal.
Por isso, sou convencido a concordar com você, as chances de um filme mais longo ser bom, são maiores.
Dramas, biografias e filmes com conteúdo intelectual, normalmente duram pelo menos 2h.
Mas, como sempre, tudo tem exceção. Por exemplo, não vejo porquê uma comédia tenha que durar mais que uma hora e meia hehehe

Torremo_MH disse...

Uma coisa q reparei na 2ª vez q vi o filme e achei muito foda, foi q, no filme inteiro fica mostrando passagens dos livros q ele gosta, e esses livros meio q falam q para alcançar a felicidade, para ser feliz, ñ depende dos outros (as pessoas com quem se convive), só do meio em q se vive... E essa é a filosofia q rege ele o filme inteiro... Aí lá no ônibus, ele fica fazendo suas anotações e conclusões num caderninho. Mas no final, qdo ele se dá conta de que a felicidade precisa ser compartilhada, ele não anota essa conclusão no caderninho, mas sim em um dos livros. Tipo, ele se dá conta de q o livro ñ está totalmente correto, então ele adiciona o q falta.

Leonardo Belançon disse...

É filosófico e poético. Quando percebi isso no fim do filme, pensei mais ou menos isso. Parece que ele quis corrigir esses autores propondo o ponto de vista dele. "A Felicidade só é verdadeira, quando é compartilhada", tipo apesar de ele sempre ter concordado com a ideia de que o isolamento poderia trazer felicidade, quando ele se vê sozinho, ele percebe que na verdade se ele não tiver alguém com quem compartilhar o que ele pensa, defender o que ele acredita, ele não vai ser feliz.
A interações social é necessária ao ser humano pra evolução do pensamento, das ideias e é uma necessidade sentimental. Como diz Tom Jobim, "é impossível ser feliz sozinho." Pra mim, esse momento é a prova da evolução do Chris McCandless como ser humano.

Eu só não sei se ele morreu feliz por ter concluído isso, mesmo sozinho, ou infeliz por não ter podido viver essa ideia.

Torremo_MH disse...

Exatamente isso!
Além do mais, querer viver sozinho é um tremendo egoísmo (o mal do mundo).

o final ele mesmo diz q teve uma vida feliz... e mesmo se isolando, morrendo sozinho e dando a impressão de q ele foi solitário, analisando o filme, nota-se q ele viveu com muita gente e compartilhou sua felicidade com essa gente.

Leonardo Belançon disse...

É, mesmo sem ter sido esse o objetivo, ele deixava algo diferente na vida daquelas pessoas com quem ele conviveu, e mesmo que o filme não tenha se focado nisso, ele também deve ter levado algo daquelas pessoas consigo.

E tocou a nossa vida também hehehe Como eu disse nesse post, não da pra ser indiferente ao filme e a ideia exposta. A vida do McCandless faz a gente questionar e pensar em muita coisa. Discutir também né Tom, olha esse nosso papo HAHAHA :p