Há anos atrás esse era o ápice da brincadeira do “Mês”. (Quem nunca brincou?!) E a resposta era sempre inocente, como a brincadeira e cabeça das crianças que brincavam. “Um carro” era a resposta preferida dos piás, “uma casa” ficava mesmo entre as meninas. O tempo passou, a inocência ficou para trás e hoje não há apenas uma resposta para essa pergunta, mas várias.
Eu quero da vida: Um dia, mas não tão próximo, uma família. Com direito a “casamento brega”, padrinhos, família e amigos, um padre, igreja e festa em seguida. Tá, nem todo mundo acha isso brega, a não ser os moderninhos que concordam que casamento é uma instituição falida ou os caras mais machistas que acham que casar é perder a liberdade e a vida. “Bom mesmo é ser livre pra me apaixonar quantas vezes eu quiser. Compromisso é besteira.” Acredito que eu não penso assim porque tive em minha vida figuras que me mostraram que “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença” funcionam sim. Valeu Pai e Mãe e, Vô Ricieri e Vó Lourdes.
Quero da vida, ainda: A faculdade de História. “Credo vai ser professor?” Sim, vou ser professor. Não adianta ler em sites de notícias e jornais, ou ver na TV que professor ganha mal, apanha, é ofendido e a educação no Brasil é uma bosta, já decidi isso. Tive e tenho professores que me mostraram que existem muitos obstáculos, mas vale a pena pra quem tem coragem e eu quero fazer a diferença. “O que faço é uma gota no oceano. Mas, sem ela, o oceano será menor.” (Madre Teresa).
Uma terceira coisa, entre tantas outras, que eu quero é um dia viver em um lugar onde eu não conheça ninguém, de preferência que eu nem fale o idioma local. Quero conhecer outros estilos de vida, culturas, idiomas, culinária. Quero não saber como será meu dia seguinte, não ter uma rotina por algum tempo, não saber como, e se, conseguirei dinheiro para voltar para o “meu mundo”. Talvez alguns que irão ler isso e, no íntimo de suas mentes revoltadas e “modernas”, pensarão: “Deixa de ser besta. Tanta gente passando fome, desempregado, doente, que queria ter alguma estabilidade e você querendo trocar isso por algo incerto.” Na verdade não é tão trash quanto possa parecer, não vou dar uma de Christopher McCandless (Into the Wild, assista!) e me isolar do mundo, queimar meus documentos, doar todo o meu dinheiro e viver sem eira nem beira.
Quero a aventura, mas, por outro lado, quero também ter meu porto seguro, para saber que eu terei para onde voltar quando quiser seguir minha vida e me estabilizar.
“Que sonhador esse Leo.” Concordo, sou sonhador. Mas, um dia meus antepassados maternos sonharam com uma vida melhor e atravessaram o Atlântico atrás disso. Resultado: Podem não ter encontrado riqueza, mas, foram felizes. Meus antepassados paternos sonharam com o dia em que andariam livres, sem serem negociados como mercadoria e há 120 anos alcançaram além da liberdade, o reconhecimento como seres humanos e pessoas dignas (por mais que ainda haja preconceito racial). Um dia, um grupo de pessoas sonharam em levar a Boa Nova a todas as nações, hoje um terço da população mundial reconhece essa Boa Nova como forma e regra de vida. Houve também quem sonhasse com um meio de comunicação que permitisse que o mundo inteiro se “conectasse”... se você está lendo essas loucuras que eu escrevi, é sinal de que deu certo.
Sonho não necessariamente deva ser só um sonho. Depende de você e só de você, como vai querer que sua vida siga. Talvez eu não realize nenhum desses sonhos e morra solteiro como funcionário administrativo, morador de Maria Helena. Mas, eu gosto de pensar o contrário, porque eu quero o contrário e isso ninguém tira de mim, por mais que me desanimem. Entre tantos outros objetivos, isso é “o que eu quero da vida.”
E boa sorte pra mim!

