sábado, 31 de dezembro de 2011

Adeus ano velho, Feliz Ano Novo...

Não há como negar o friozinho que dá na barriga quando chega 31 de Dezembro. É mais ou menos como no começo do ano letivo, quando você compra o material. Caderno novinho, canetas nunca usadas, o grafite novo na lapiseira nova, a borracha ainda limpa. Aquela sensação de que você poderá escrever o que quiser no caderno, que irá caprichar na letra e a clássica promessa de que nesse ano, você vai  realmente estudar e não enrolar como no ano passado.

Todos nós temos essa expectativa e ansiedade para o ano que vai nascer na próxima madrugada. Mas, o caderno em questão é a nossa vida e o rumo que daremos a ela. Ser uma pessoa melhor, estudar mais, fazer caridade, emagrecer... enfim, novos planos velhos para um ano novo. Incluindo até mesmo a superstição de usar as cores que trarão paz, dinheiro, amor.

O meu 2012 vem carregado de expectativas para a realização de alguns grandes desejos, entre eles o Mochilão, que se Deus quiser, fechará um ano que tem tudo para ser um dos melhores da minha vida. Passar no vestibular, de novo, e terminar a faculdade, são os outros dois grandes desejos para o próximo ano, mas, como qualquer pessoa, também almejo os objetivos clássicos que citei acima.

A oportunidade de corrigir nossos erros e buscar novos horizontes é que nos faz pensar na virada do relógio, porque é sempre agradável imaginar que se pode começar as coisas do zero, como se o que você carregasse consigo fosse apenas experiência e não mais a culpa, os erros, as perdas que te fizeram crescer e amadurecer. Há a possibilidade de mudar, ser quem você quiser, fazer o que você quiser e ter apenas as pessoas que te agradam por perto, os inimigos devem ficar pelo caminho, junto com os fracassos e tristezas. Jamais ignorá-los, mas superá-los. Como tudo na vida, só depende de você.

Começar a escrever no caderno novo é incrivelmente prazeroso, então vamos caprichar na letra.

Feliz 2012!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Buon Natale!

Ah o Natal! O nascimento de Jesus, nosso Senhor e Salvador. 
Essa solenidade me lembra também o nascimento da misericórdia e do amor de Deus por nós. Através do ventre virginal de Maria, Deus se fez homem e habitou entre sua criação, como uma de suas criaturas. Nasce o Deus menino, portador de todo amor e misericórdia divina, e nos dando gratuitamente a salvação.

Até mesmo no meu tempo de deserto, período em que eu me afastei de toda religiosidade e fé, eu sentia a importância do Natal. Hoje, acredito que essa inquietação em minha alma,  era Jesus me chamando de volta. Eu me afastei, mas Ele jamais se afastou de mim e hoje, me sinto em sintonia com Ele novamente. Não estou salvo, ainda tenho um caminho longo e desafiador até alcançar a salvação, mas tendo a certeza de que Jesus está comigo, o caminho torna-se muito menos difícil.

Nunca foi dito que seria fácil seguir Jesus, fechar-se para algumas facilidades e seduções do mundo. Mas, tenho certeza de que valerá a pena. Comece aos poucos. Comece amando os seus, levando alegria, paz e bem àqueles a sua volta, aos poucos você alcançará os que estão distantes. E o caminho se tornará mais claro e alegre.
Não se preocupe com os desafios, com o medo, o Evangelho nos mostra que quando Jesus chamou Pedro para andar sobre o mar revolto, ele também teve medo, mas o Senhor estava lá para socorrê-lo. Jesus está ao seu lado também, e Ele só quer a sua permissão para agir e fazer maravilhas. Basta crer. Creia!

Que Jesus possa renascer no seu coração e no seio de sua família e que Maria passe a frente, intercendo por ti. Esta mulher que foi a primeira Cristã e exemplo de fé e servidão, quando ao dizer sim a Deus, possibilitou que a salvação nos fosse entregue por seu filho, Jesus.

Pegadas na Areia

Uma noite eu tive um sonho. Sonhei que estava andando na praia com o Senhor e através do Céu, passavam cenas de minha vida. Para cada cena que passava, percebi pegadas na areia; Uma era minha e a outra do Senhor.
Quando a última cena de minha vida passou diante de nós, olhei para as pegadas. Notei que muitas vezes no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia. Notei, também, que isso aconteceu nos momentos mais difíceis da minha vida.
Isso aborreceu-me e perguntei então ao Senhor:
- Senhor, Tu me disseste que uma vez que eu resolvi Te seguir, Tu andarias sempre comigo, todo o caminho. Mas notei que nos momentos das maiores atribulações do meu viver, havia na areia dos caminhos da vida, apenas um par de pegadas. Não compreendo... Porque nas horas em que eu mais necessitava Tu me deixastes?
O Senhor respondeu:
- Meu precioso filho, eu te amo e jamais te deixaria nas horas da tua prova e do teu sofrimento. Quando vistes na areia apenas um par de pegadas, foi exatamente aí que eu te carreguei em meus braços.

"Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei; Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas; Porque meu jugo é suave e meu peso é leve." (Mt 11, 28-30)


Buon Natale a tutti!
Feliz Natal =D

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

As Três Árvores

Havia no alto de uma montanha, três pequenas árvores que sonhavam com o que seriam depois de grandes. A primeira, olhando as estrelas,disse:
- Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros. Para tal, até me disponho a ser cortada.

A segunda olhou para o riacho e suspirou:
- Eu quero ser um grande navio para transportar reis e rainhas.

A terceira árvore olhou o vale e disse:
- Eu quero ficar aqui no alto da montanha e crescer tanto que as pessoas ao olharem para mim, levantem seus olhos e pensem em Deus.

Muitos anos se passaram, e certo dia vieram três lenhadores e cortaram as três árvores, todas muito ansiosas em serem transformadas naquilo com que sonhavam. Mas, lenhadores não costumam ouvir nem entender sonhos!

A primeira árvore acabou sendo transformado num cocho de animais, coberto de feno. A segunda virou um simples barco de pesca, carregando pessoas e peixes todos os dias. E a terceira, mesmo sonhando em ficar no alto da montanha, acabou cortada em altas vigas e colocada de lado em um depósito.
E todas as três se perguntavam desiludidas e tristes: 
- Para que isso?

Mas, numa certa noite, cheia de luz e de estrelas, onde havia mil melodias no ar, uma jovem mulher colocou seu filho recém-nascido naquele cocho de animais e de repente, a primeira árvore percebeu que continha o maior tesouro do mundo!



A segunda árvore, anos mais tarde, acabou transportando um homem que acabou dormindo no barco, mas, quando a tempestade quase afundou o barco, o homem se levantou e disse: "PAZ!" e num relance, a segunda árvore entendeu que estava carregando o Rei dos céus e da terra.



Tempos mais tarde, numa sexta-feira, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela. Logo se sentiu horrível e cruel. Mas, no domingo, o mundo vibrou de alegria e a terceira árvore entendeu que nela havia sido pregado um homem, para a salvação da humanidade, e que todos se lembrariam de Deus e de Seu  Filho, Jesus Cristo, ao olharem para ela.



As árvores haviam tido sonhos, mas seus destinos foram muito melhores e mais sábios do que haviam imaginado.

Temos os nossos sonhos e nossos planos que, por vezes, não coincidem com os planos que Deus tem para nós e, quase sempre, somos surpreendidos com Sua generosidade e misericórdia. É importante acreditarmos, termos fé, compreendermos que tudo vem de Deus, pois Ele sabe muito bem o que é melhor para cada um de nós.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Meus Amigos

Amizade é, talvez, a mais importante relação interpessoal na vida do ser humano. Tamanha importância é reconhecida inclusive na Bíblia Sagrada. Amizade, assim como o amor romântico, exige reciprocidade. Não se ama sozinho, na mesma medida que não se é amigo sozinho.
Velhos, novos, passageiros ou eternos, amigos são presentes de Deus. "Amigo fiel é poderosa proteção: quem o encontrou, encontrou um tesouro." (Eclesiástico 6, 14).

Dedico esta crônica de Vinícius de Moraes a todos os meus Amigos.

 
" Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. 
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas, é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os."

 
Vinícius de Moraes

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Meu-eu



Constatei o seguinte: Sou uma sombra.

Não por opção. Não escolhi ser o reflexo escuro e sem vida de outrém, mas aqueles à minha volta, me condicionaram a esta realidade. Cada gesto que faço ou palavra que profiro, parece o ato ensaiado de repetição daquilo que alguém fez, ou faz. Não tenho autonomia nem mesmo para ter personalidade, essa cópia chula de gostos e desgostos, já esperada pelos que me assistem.
Se gosto é porque outros já gostavam. Se não gosto, soa como um lamentável grito de independência impossível. Apenas uma revolta de minha parte. Revolta-me.
Chego mudo e saio calado. Na verdade, gastei todo o meu latim, tentando ser educado e agradável àqueles que, sequer, notaram que eu estava ali. Apenas, sinto-me mudo. Desfiro um grito surdo, e sufocado pela indiferença a mim devotada. Grito, esperneio, me altero e só o que percebem é uma brisa suave. Anuncio uma tempestade que ninguém viu passar, mas os que perceberam-na se formar, tinham certeza que era apenas tempo feio, logo passaria como sempre passa.

E tudo volta ao que era. E me torno invísivel. Não como a experiência do cientista do livro de H.G. Wells (1897), ou o personagem do filme de Paul Verhoeven (2000) pois estes, protegidos pela ficção, de fato, não se podiam ver por quem quer que fosse. Minha invisibilidade é filosófica. Ocupo lugar no espaço como qualquer corpo, mas tenho a mesma importância que uma folha seca.
Fosse eu um otimista, diria que até mesmo a folha seca, não notada, pisoteada e apagada pela realidade que a cerca, tem sua função no equilíbiro das coisas, como fertilizar o solo que cobre. Talvez seja essa a função deste corpo insosso, apenas fertlizar o substrato que o abrigará quando até mesmo esta alma abandoná-lo.

Contudo, além desta sombra que pouco é enxergada, existe, na verdade, sentimentos. Alegrias e tristezas, saúde e doenças, morte e vida. Quisera eu ser a criatura mais interessante deste planeta, porém, tampouco acredito ser tão irrelevante quanto (não) me vêem. Dentro desta sombra sem graça, existe luz. Alma luminosa, personalidade única, defeitos, qualidades, gostos e desgostos, que na verdade me são inatos. Próprios.

Minha dor me faz humano, minha amargura me traz o ócio criativo. “Dor não é amargura”, já dizia Adélia Prado. Até mesmo minha invisibilidade social me traz benefícios. Posso ser e fazer o que quiser, que ainda assim me enxergarás como queres. Como me pintam. Não sou como pensas. De tudo, tenho um pouco. Puritano e Imoral. Humano e Monstro. Matéria e Alma. Não mais imploro para que me enxerguem, prefiro viver minha sombra à luz dos meus desejos, menos hipócritas que os pertencentes àqueles que me condicionaram a esta sombra.

Não tenho mais a obrigação da gentileza forçada. Não pergunto como estás. Não me interessa. Não te chamo para me acompanhar em um chá, se o que me agradaria, na verdade, era servir-te veneno. Não sorrio, não sou gentil, não sou educado. A menos que seja verdadeiro e não por protocolo. Mas àqueles (poucos) que realmente me enxergam, posso ser a criatura mais dócil, interessante e calorosa, possível. Se me veres, então me enxergarás.

Autor: Giovanni Sciocco

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mochilão - Base de Custos


Como é tudo novo pra mim, fico pesquisando, lendo relatos em blogues e especialmente no site Mochileiros.com da galera que viaja na mochila. Primeiro pra ter ideia de lugares a visitar, empresas de bus, trem, hospedagem, lugares para comer, etc. Mas, também para ter uma ideia de quanto irei gastar na minha trip e essa é uma coisa que tem me deixado impressionado.

Tá certo que a ideia de mochilar é viajar gastando pouco. Na minha mente, uma coisa sempre puxa a outra. Mesmo sabendo dessa premissa, ainda me surpreendo com alguns relatos.

Como a base de preço de quase tudo na vida, depende da pessoa que irá gastar. Quantos dias de viagem, os lugares que visitará, se irá a baladas ou não, onde irá comer, dormir, enfim. É provável, pelo que eu tenho lido, que gaste um pouco mais em lugares distantes do Brasil e com moedas mais valorizadas que o real, como América do Norte e Europa. Se o seu negócio é uma coisa mais tranquila, menos luxuosa e tem como destino a América Latina, sua trip barateia.

Em média (feita por mim) gasta-se de 2,5 a 3 mil reais numa viagem de uns 20 dias pelos países hermanos (América Latina). Claro que isso são dados grosseiros e a fonte soy yo, mas acredito estar dentro da realidade e isso é só uma base de custos.

Sem querer fazer crítica a quem viaje no esquema “turista” - no pacote - com hotel, restaurantes e passeios definidos, com horários marcados e quase inflexíveis, eu só acho a viagem improvisada, tendo você definido seus passeios, hospedagem e restaurantes, mais tentadora e divertida. Por exemplo: 8 dias na República Dominicana, com tudo definido, reservado e planejado, sai aproximadamente R$ 2.600,00. Com esse valor é possível ir à Bolívia, Peru e Chile por 30 dias, sem quase nada definido.
Eu optaria pela segunda.

A minha intenção nessa postagem é mostrar que o mochilão não precisa ter um custo muito elevado. Se você topa dormir em Hostel (albergue), viajar de busão, não fizer questão de comer em restaurantes caros, o dinheiro que você economiza com isso, pode ser investido num passeio que valerá muito mais a pena que um travesseiro de pena de ganso num hotel 5 estrelas.
Você pode viajar pelo Brasil ou para fora dele e aproveitar a viagem tanto quanto alguém que prioriza o conforto absoluto, mas gastando uma quantia ao seu alcance. Viaje!

domingo, 16 de outubro de 2011

Filmes Recomendados - 16/10

Nessa pira de Mochilão, tenho me atido a filmes que tenham alguma relação com viagem, então vou citar alguns sobre o assunto que eu acho bem legais. Na postagem de hoje, esses dois mais recentes.

The Art of Travel  - (A Arte de Viajar - 2008)
Começa no estilo "besteirol". Um cara que está às vésperas do casamento resolve largar tudo, inclusive a noiva, e sair pelas Américas naquela velha conhecida "busca de si mesmo". Nicarágua, Panamá, Colômbia, Peru e Bolívia estão no roteiro. Alguns perrengues, pessoas de várias partes do mundo e enfim o tão buscado enriquecimento pessoal. Faz a linha comédia adolescente em muitas partes, tipo American Pie, mas é legal.





 Nanga Parbat - (2010)
Filme emocionante, no estilo Limite Vertical (Vertical Limit - 2000). 
No início do anos 70, os irmãos Reinhold e Günther Messner, amantes de escalada, encaram uma expedição para chegar ao cume do Nanga Parbat, montanha no Himalaia paquistanês conseiderada a segunda mais difícil de se escalar, atrás apenas do K2. O filme, baseado em fatos reais, relata a saga dos irmãos alemães no desafio de sobreviverem à montanha.
 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Na Natureza Selvagem


Há uns dois anos, ouvi falar desse filme. Lançado em 2007, sob direção de Sean Penn e com Emile Hirsch no papel principal. Tenho uma lista – literalmente – de filmes que gostaria de ver e o coloquei nela sem pretensão, apenas porque ouvi falar e achei que poderia ser legal, mas quando olhei a ficha técnica e vi que a duração do filme é longa, fiquei apreensivo. Filme longo tem que ser muito bom, senão fica aquela sensação frustrante de que você perdeu parte do seu dia por nada. Poucos dias antes do “estalo” sobre o mochilão, resolvi arriscar e baixei Into the Wild. Mal sabia que seria minha alavanca e um dos melhors filmes que eu já assisti.

 
O filme, baseado no livro homônimo de Jon Krakauer, que aliás, tem alguns livros que parecem ser muito legais, trata da história real do jovem Christopher McCandless. Um americano que não suportava a hipocrisia e o materialismo da sociedade ao seu redor, até mesmo dentro de sua família, e após se formar doa toda a grana que tinha no banco pra caridade, queima os documentos e o dinheiro que tinha no bolso, “muda” o nome para Alexander Supertramp e sai pelos EUA rumo ao Alasca, sem comunicar ninguém. Ele buscava viver da forma que acreditava ser melhor, desprendido de todo bem material e superficialidades.

Em sua viagem, McCandless, ou Supertramp, atravessa vários estados norte-americanos, de carona e conforme conseguia, trabalhando apenas para sobreviver, em troca de comida e lugar pra passar as noites. Em sua jornada, vai ao México, volta aos EUA, passa alguns dias com uma comunidade hippie e seu último relacionamento social, é com um senhor que o “adota” como neto pelo tempo em que passam juntos. Por fim, alcança seu objetivo: o distante e gelado Alasca. Apesar de toda o desprendimento da vida que levava antes, McCandless estava sempre acompanhado de Thoreau, Tolstoi e outros autores.
Com um final surpreendente e emocionante, não há quem não queira, mesmo que por 15min., fazer o mesmo que Christopher McCandless fez entre 1990 e 1992. Apesar de, ao meu ver, ter sido radical em sua atitude, é indiscutível que sua história seja inspiradora, instigante e admirável.

Digo que o filme me serviu de alavanca, porque foi como o momento ápice em que algo me dissesse “há um mundo maior do que esse em que você vive”. Sem a pretensão de filosofar, ou dar uma de psicólogo, mas acredito que todos vivamos dentro de nossas bolhas, onde o preconceito, o achismo e o conformismo nos impedem de tentar expandir, ou mesm romper esse invólucro.

Já li muitas críticas negativas sobre a atitude de McCandless, basicamente “Como o cara larga uma vida segura em busca de algo subjetivo?! É loucura.” Como eu disse, não faria exatamente igual a ele, porque penso e enxergo as coisas de forma mais branda, mas minha mente me questiona, “porquê não? Por que não buscar uma vida que te deixe feliz, ao invés de aceitar o que te impõem? Ser rico e ostentar suas conquistas! Para quê afinal?”.
McCandless foi corajoso o suficiente para responder a essa inquietação, sensível o bastante para deixar que seu coração o guiasse e louco o suficiente para fazer o que tinha em mente, mas sobretudo, foi autêntico. O filme mostra que ele também descobriu algumas falhas em sua forma de pensar, alguns equívocos, o que o torna, para mim, ainda mais admirável.

Christopher McCandless em sua "residência" no Alasca
A minha intenção, já citada em outra postagem, de viver em algum lugar desconhecido, com pessoas e culturas inimagináveis para mim, é justamente buscar essa sensibilidade na percepção de mundo, de humanidade. É viver, aquilo que eu acredito quando penso em parar de olhar para o meu umbigo, olhar para frente e então enxergar os rostos de outras pessoas, não me deixar corromper pela sociedade que me rodeia. O homem é falho, e eu não sou hipócrita de dizer que sou incorruptível, por isso, talvez o afastamento da minha realidade, porá em prática meu lado Supertramp. Algo que o incomodava e a mim incomoda, é o individualismo e egoísmo das pessoas, como diz meu irmão “Nego só quer saber do vinde a mim.”

Mas, quem sou eu?! vai que eu estou errado não é?

Recomendo muito o filme, a trilha de Eddie Vedder, o vocalista do Pearl Jam, é incrível e a história te fará pensar em várias coisas. Depois talvez você concorde com a visão do cara ou com a minha. Talvez não. Seja qual for o resultado, acredito que terá feito você exercitar o refletir, o ponderar, e é isso que te torna um animal racional.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Mochilão - Surge a ideia


Como eu já disse no primeiro post do blog, a principal intenção em criá-lo era relatar minha preparação para o meu mochilão, que ocorrerá no ainda longínquo mês de Dezembro de 2012.
Aqui vai a primeira postagem sobre o assunto.


1 de Maio de 2011 - Quando tudo começou.

Já passava das 23hr de mais um domingo ocioso e eu estava inquieto, pensando em reconsiderar um plano antigo de ir-me embora para um país desconhecido, sobre o qual eu conheci um pouco da cultura do fim do século XIX e tenho algum conhecimento, bem básico, da língua, cinema e gastronomia. A Itália.
Apesar de conseguir comprovar a ascendência, e assim conseguir a dupla cidadania, é um projeto trabalhoso e caro para um simples estagiário da Secretaria da Agricultura do Paraná. Por isso a ideia me desanimava um pouco, mas, a vontade de conhecer outro país ainda era muito grande.
Os planejamentos para a formatura da faculdade já haviam começado e eu, mesmo fazendo parte, não me sentia empolgado e achava que deveria investir o dinheiro de forma mais aproveitável, já que a ideia do baile, jantar e essas formalidades, não me atrai tanto. Então, perto da meia noite, com toda essa coisa de viagem, dinheiro, formatura e outro país, na minha cabeça, digitei por acaso no google “América do Sul” e ao ver o mapa abaixo, pensei: “Eureka!”...




Tá, não foi bem essa palavra que me veio a mente, mas a ideia da expressão. Grana curta + formatura + país desconhecido = MOCHILÃO PELA AMÉRICA DO SUL!
Mas pra onde? Qual ou quais países? Quando? Quanto vou precisar?
13 países, um deles sendo território ultramarino da França (Guiana Francesa), arquipélagos e ilhas que compõem a porção sul do continente americano, a maioria com moedas mais baratas que o real, o que me é favorável economicamente. Países ricos em cultura, história e que atraem pessoas do mundo todo, e o que é melhor, aqui perto.

Precisava ir dormir, porque tinha que acordar cedo, mas todo o esforço foi em vão. Sou um cara muito ansioso, queria decidir tudo naquela noite e por isso fritei na cama até quase 2hr da madrugada. - Hoje, 4 meses e meio depois ainda tenho pouca coisa definida, na verdade.

A partir daquela segunda-feira, dia 2, comecei minhas pesquisas. Blogs, sites, comunidades no Orkut e um filme em especial: Into the Wild (Na Naturza Selvagem). Assisti a esse filme entre a quarta e a sexta-feira daquela semana, porque, como meu tempo livre é escasso e a duração do filme é de 2h e 30min. aproximadamente, só consegui assistí-lo por partes (mas, recomendo que o assistam sem pausas). 
O filme foi como uma injeção de ânimo, em outra postagem falarei mais sobre ele, e naquela primeira semana de Maio defini algo que tem me deixado muito empolgado a cada relato que leio sobre o assunto: vou fazer mochilão. Abandonei de vez a ideia da formatura convencional e agora me programo para viajar pela América do Sul no fim do ano que vem.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Não fazem mais filmes como antigamente - II (Final)

E continuando o papo sobre qualidade de cinema, chego aos anos 90.

Década que me marcou pelos filmes de comédia inocente e que até hoje me divertem, como Esqueceram de Mim (Home Alone), Mudança de Hábito (Sister Act - 1 e 2), As Tartarugas Ninjas (Teenage Mutant Ninja Turtles), Os Batutinhas (The Little Rascals), Uma Babá Quase Perfeita (Mrs. Doubtfire), Ace Ventura (Ace Ventura: Pet Detective), e ainda que não sejam comédias, também foram marcantes, O Rei Leão (The Lion King) e o brasileiro O Auto da Compadecida, baseado na obra de Ariano Suassuna.

No Terror/Suspense a década é lembrada pelo surgimento do “terror teen” gênero ao qual pertecem filmes como Lenda Urbana (Urban Legends), Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (I Know What You Did Last Summer) e o aclamado, e meu preferido entre todos, Pânico (Scream).
Ainda que o quarto filme da série deste último, lançado no começo de 2011, tenha sido um pouco inferior aos 3 primeiros, críticos de cinema concordam que o surgimento da franquia foi um divisor de águas e que mudou a forma de fazer filmes de terror, sobretudo para adolescentes. Scream é considerado um dos melhores filmes do gênero de todos os tempos.

Ainda nessa área, não dá pra deixar de comentar o premiado O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs) com o louco, porém gênial, Hannibal Lecter, que rendeu a Anthony Hopkin o Oscar, merecido, de melhor Ator em 1992. Arquivo X (The X File) e A Prova Final (The Faculty), ambos envolvendo a fantasia extraterrestre, acredito que se encaixam melhor em Suspense/Ficção. O Sexto Sentido (The Sixth Sense) com um final surpreendente, Premonição (Final Destination), Seven e Fim dos Dias (End of Days), também fazem parte da minha lista de melhores dos anos 90.

O drama teve o maior número de premiados e possui grandes representantes como Filadélfia (Philadelphia) e Forrest Gump, que deram a Tom Hanks dois Oscar consecutivos de Melhor Ator em 1994 e 1995. Ghost, que premiou Whoopi Goldberg como Melhor Atriz Coadjuvante em 1991. Perfume de Mulher (Scent of a Woman) no qual Al Pacino interpreta um militar cego e com humor ácido, papel que lhe deu o Oscar de Melhor Ator em 1993. O épico Coração Valente (Braveheart), o Melhor Filme de 1996, o emocionante A Espera de um Milagre (The Green Mile). A Lista de Schindler (Schindler's List) e A Vida é Bela (La Vitta è Bella) que retratam diferentes ocasiões do Holocausto. Por fim, claro, Titanic, uma das maiores produções cinematográficas, bilheterias e talvez o filme mais premiado da história do Cinema.


Os anos 90 contam também com uma evolução nos efeitos especiais, que surpreendeu o público da época, como o já citado Titanic, o apocalíptico Armageddon e os dinossauros quase reais de Spielberg em Jurassic Park.

Como já disse, muitos filmes produzidos depois da virada do século, são muito bons, inclusive melhores que algumas produções dos anos 80 e 90. Contudo, ao meu ver, essas produções citadas nessas duas postagens, apresentam uma sensibilidade maior.

Não entendo nada da parte técnica de cinema, não sou ator nem diretor para julgar se esses profissionais eram melhores anos atrás, e muito menos sou crítico especializado no assunto. Minha posição quanto ao cinema é essa, simplesmente por nostalgia, por ter escutado, ao longo de minha vida, incontáveis histórias de uma época que eu não vivi, mas da qual sinto saudade, por ser um jovem dos anos 2000 que, na verdade, queria ter sido jovem nos anos 80 e 90. É só por ter nascido com uns vinte anos de atraso que eu acredito que não fazem mais filmes, como antigamente...
Recomendações de filmes dos anos 90:
O Sexto Sentido (The Sixth Sense) - 1999
O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs) - 1991
Coração Valente (Braveheart) - 1995
A Espera de um Milagre (The Green Mile) - 1999
A Vida é Bela (La Vitta è Bella) - 1997
Filadélfia (Philadelphia) - 1993
O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan) - 1998
Questão de Honra (A Few Good Man) - 1992
Apollo 13 - 1995
Armageddon - 1998
Erin Brockovich - 2000
Seven - 1995

-Franquias:
Jurassic Park – 1993/1997/2001. 3Filmes
Mudança de Hábito (Sister Act) – 1992 e 1993. 2 Filmes
Pânico (Scream) – 1996/1997/2000 e 2011. 4 Filmes
Esqueceram de Mim (Home Alone) – 1990 e 1992

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Não fazem mais filmes como antigamente - I



Quando Anthony Michael Hall, River Phoenix, Molly Ringwald, Emilio Estevez, Jon Cryer, Matthew Broderick, Kiefer Sutherland e tantos outros bons atores ainda estavam no começo de sua juventude, sendo dirigidos por John Hughes, Rob Reiner, Robert Zemeckis, entre tantos outros grandes diretores, o cinema tinha qualidade e emoção.

Aposto que você sabe quem foi Ferris Bueller, que um dia saiu Curtindo a vida adoidado (Ferris Bueller's Day Off). Ou aqueles 4 amigos que caminharam dias, seguindo um trilho de trem pra encontrar o corpo de um piá morto, e viveram a experiência de saber o poder da amizade verdadeira em Conta Comigo (Stand by Me). Clube dos Cinco (The Breakefast Club), Os Goonies (The Goonies), De volta para o Futuro (Back to the Future) que com certeza fez você e milhares de outros jovens sonharem com seu próprio De Lorean. A lista de filmes que estão na memória de outras crianças da década de 90 que, assim como eu, assistiram a esses filmes na Sessão da Tarde ou no Cinema em Casa, não para por aí. Há tantos para citar e tantos outros que esquecerei.

Meu gênero preferido, o Terror, lançou filmes como O Iluminado (The Shining), A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street) que fez quem assistisse ter receio de dormir e encontrar Freddy Krueger em seus sonhos, Sexta-feira 13 (Friday the 13th) com o sempre citado Jason Voorhees, Poltergeist, Halloween (na verdade o primeiro filme da franquia é de 1978, mas entra na lista), Dia dos Namorados Macabro (My Bloody Valentine), Os Garotos Perdidos (The Lost Boys), Brinquedo Assassino (Child's Play), etc.


Não dá pra negar que os efeitos especiais, qualidade de áudio e imagem dos filmes de hoje em dia são muito mais elaborados, mais bem feitos que os daquela época, onde por exemplo um revólver disparado fazia um barulho tosco e parecia um sinalizador de tanta fumaça que saía do cano. Aquela neblina, devia asfixiar quem estava no manuseio da arma.

Mas, apesar de toda a modernidade do cinema contemporâneo, as produções dos anos 80, que eu assisti muito tempo depois de seus lançamentos, é verdade, eram muito melhores do que as de hoje. Talvez houvesse uma inocência maior por parte do público da época, ou uma inocência maior de minha parte, numa época onde a adolescência/início da vida adulta, estava na década anterior à minha. 
Hoje as pessoas assistem filmes procurando um defeito no continuísmo, riem de cenas e personagens impossíveis na vida real, como se a magia da ficção fosse para tolos, e quando os efeitos especiais não são perfeitos, o filme é uma porcaria. O público se tornou mais exigente e os filmes mais superficiais. Um exemplo disso são os tantos remakes que estão sendo produzidos e por um equívoco do público, devido a essa modernidade, estão sendo mais reverenciados que seus originais.

Vampiros que se apaixonam por pessoas normais e brigam com uma gangue de lobisomens por um pacto de não matar pessoas. Bebê bruxo que salva o mundo do mal personificado em um único bruxo do mal e só fica com uma cicatriz na testa, depois, quando quase adulto, volta a enfrentar esse cara que toda a “sociedade bruxa” tem medo de citar o nome. Franquias sem graça como High School Musical e muitas outras ideias pífias, na minha opinião.
Pode ser que as linhas de criação sejam as mesmas em muitos casos, que os filmes adolescentes também fossem sem graça nos anos 80, e não há como negar que existem filmes com 10 anos ou menos que sejam maravilhosos, mas eu não ouso comparar a qualidade superior, de modo geral, dos filmes de quase 30 anos atrás aos de hoje.

Talvez eu até seja um pouco hipócrita em querer inocência por parte do público cinéfilo de hoje, me mantendo preso às produções antigas, mas, de qualquer forma, reverencio sem constrangimento o cinema do fim dos anos 70 até o dos anos 90, que para mim tem algo a mais. Mesmo que seja apenas a Nostalgia de um tempo que eu infelizmente não vivi.

Recomendações pessoais de filmes dos anos 80:
Namorada de Aluguel (Can't Buy Me Love) - 1987
Conta Comigo (Stand by Me) - 1986
Garotos Perdidos (The Lost Boys) - 1987
Quase Igual aos Outros (Jus one of the Guys) - 1985
Clube dos Cinco (The Breakfast Club) - 1985
O Nome da Rosa (Il Nome della Rosa/ Der name der Rose) - 1986
Footloose - 1984
Karatê Kid - 1984
Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society) - 1989
Mississippi em Chamas (Mississippi Burning) - 1988

-Franquias:
Indiana Jones – 1981 a 2008. 4 filmes
A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street) – 1984 a 1989. 5 filmes*
Halloween – 1978 a 2002. 7 filmes**
Sexta-feira 13 (Friday The 13th) – 1980 a 1993. 9 filmes***
De volta para o futuro (Back to the Future) – 1985 a 1990. 3 filmes

* Depois do quinto filme em 89, a série perde um pouco do clima de terror e fica meio cômica.
** Halloween III é meio sem sentido e não tem muito haver com Michael Myers, o Serial Killer.
*** Os filmes da franquia lançados nos anos 2000 são inferiores.

sábado, 3 de setembro de 2011

03 de Setembro

Como bom saudosista que sou, vou contar uma história que já teve um fim.

Nesse mesmo dia, há 81 anos uma família italiana recebia mais um membro. Aquele menino seria o único dos 3 filhos mais velhos a chegar à idade adulta. Após ele, vieram mais 7 crianças, 5 meninas e 2 meninos. Família grande, humilde e trabalhadora que ainda cultivava com orgulho os costumes, culinária e até mesmo o idioma da terra natal. 

Um dia essas pessoas rumaram para o norte do Paraná, todos juntos como a maioria das famílias de imigrantes. O país já não era tão desconhecido para eles, mas os laços sanguíneos falavam mais forte. Junto desse menino de quem conto a história, e de sua família, vieram tios e primos. Agora o menino já não era uma criança e sim um rapaz. Não teve oportunidade de estudar, mal foi alfabetizado por conta da lida na roça para ajudar seus pais a colocar comida na mesa.
Um dia, esse rapaz conheceu uma jovem professora, elegante, muito bonita e dedicada. Talvez não fosse ela, a companheira mais coerente para ele, uma vez que o rapaz possuía o jeito rústico e simples do povo da roça e a moça era mais instruída e delicada.

O rapaz se encantou pela moça e o sentimento foi recíproco. Ela que, na verdade, era tão simples quanto ele e também vinha de uma família de imigrantes, se encantou pelo jovem rapaz. Anos mais tarde se casariam e teriam 5 filhos, dois meninos nascidos com dois anos de diferença entre eles, em seguida gêmeos e  por fim uma menina. Infelizmente os gêmeos não resistiram à precariedade dos serviços de saúde daquela época e morreram logo após o parto. A moça, que agora casada merecia o título de senhora, foi professora das crianças daquele vilarejo formado pela família do rapaz, enquanto ele ainda trabalhava dedicadamente como agricultor.

Em 1965 mudaram-se para uma cidade a uns 200km dali, e segundo diziam na época, tinha tudo para crescer e se desenvolver. Como de costume, os irmãos, pais e alguns tios do rapaz vieram junto com ele e sua esposa e filhos. Tendo acabado de ser fundada, a família do rapaz estaria entre as primeiras a se fixar nessa cidade. Ali, o pai do rapaz comprou uma propriedade rural perto da pequena aglomeração urbana e um terreno exatamente no centro da cidade, onde construiu uma casa de madeira que seguia os padrões das casas italianas no Brasil daquele tempo. Orgulho das origens não faltava para essa família cujas raízes estavam no Vêneto, norte da Itália. Anos depois esse terreno seria dividido em dois, metade ficou para o jovem rapaz e a outra metade foi vendida para um senhor português que construiu ali uma filial da sua rede de supermercados.
Os anos se vão mais um pouco e no início da década de 1970, a casa onde o jovem senhor e sua família moravam no centro da cidade é incendiada. Dentro de casa o homem se apressa em salvar sua família. Esposa, filhos e uma cunhada que então morava com eles, tiveram que sair para o meio da rua com a roupa do corpo, que na ocasião eram pijamas. Não fosse a solidariedade dos vizinhos e do restante da família, o homem e sua família teriam passado por momentos ainda piores do que os que passaram ao perder sua casa, seus bens, roupas e móveis.
Com a força, dedicação e fé em Deus que lhe eram características, aos poucos o jovem senhor e a esposa reconstruíram a casa e recuperaram roupas, móveis, etc. Na década seguinte alegrias e tristezas para a família. Entre 1980 e 83 seus 3 filhos se casaram e deram ao jovem senhor e sua esposa os primeiros netos, um de cada filho, mais tarde viriam outros que completariam o total de 7,  4 homens e 3 mulheres. E nas tristezas para a família, em 1983 o pai do jovem senhor falece, em 1989 a mãe dele, ambos já passavam dos 80. Família de longevidade.

Em 2002 talvez a maior dor da vida desse senhor, sua amada esposa e companheira de mais de 40 anos vai para junto de Deus, onde eles sempre buscaram garantir um lugarzinho seguindo com dedicação as palavras do Salvador e tentando viver e passar os valores e a fé cristã aos seus filhos e netos.
Em outubro de 2005, ao anoitecer do dia 13 acaba-se a história desse italiano nascido no Brasil. Aos 75 anos ele parte. Seu legado foi memorável. Filhos, netos, noras e genro que completam uma família maravilhosa. Valores deixados que marcaram profundamente a vida daqueles que o conheceram. Sua paciência, todo o amor e atenção dedicados aos filhos e netos, todo o respeito e admiração devotados à sua esposa até mesmo após a partida dela, 3 anos antes.

O senhor em questão e que hoje completaria 81 anos é o cara em quem eu mais me espelhei a vida toda, de quem, com muita honra, herdei muitas características, entre elas a torcida fiel à seleção italiana de futebol e o grande orgulho de ser oriundi (termo que designa italianos não nascidos na Itália - descendentes).
Esse senhor chamava-se Ricieri Belançon e era o meu avô e meu herói.


"Nonno" Ricieri e Eu - 1998

As pessoas homenageiam artistas, filósofos e cientistas famosos que influenciaram suas vidas e pensamentos, eu resolvi homenagear um homem que de fato fez diferença na minha vida desde a infância e não era mundialmente famoso, mas era incrível!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

“O que você quer da vida?”

Há anos atrás esse era o ápice da brincadeira do “Mês”. (Quem nunca brincou?!) E a resposta era sempre inocente, como a brincadeira e cabeça das crianças que brincavam. “Um carro” era a resposta preferida dos piás, “uma casa” ficava mesmo entre as meninas. O tempo passou, a inocência ficou para trás e hoje não há apenas uma resposta para essa pergunta, mas várias.

Eu quero da vida: Um dia, mas não tão próximo, uma família. Com direito a “casamento brega”, padrinhos, família e amigos, um padre, igreja e festa em seguida. Tá, nem todo mundo acha isso brega, a não ser os moderninhos que concordam que casamento é uma instituição falida ou os caras mais machistas que acham que casar é perder a liberdade e a vida. “Bom mesmo é ser livre pra me apaixonar quantas vezes eu quiser. Compromisso é besteira.” Acredito que eu não penso assim porque tive em minha vida figuras que me mostraram que “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença” funcionam sim. Valeu Pai e Mãe e, Vô Ricieri e Vó Lourdes.

Quero da vida, ainda: A faculdade de História. “Credo vai ser professor?” Sim, vou ser professor. Não adianta ler em sites de notícias e jornais, ou ver na TV que professor ganha mal, apanha, é ofendido e a educação no Brasil é uma bosta, já decidi isso. Tive e tenho professores que me mostraram que existem muitos obstáculos, mas vale a pena pra quem tem coragem e eu quero fazer a diferença. “O que faço é uma gota no oceano. Mas, sem ela, o oceano será menor.” (Madre Teresa).

Uma terceira coisa, entre tantas outras, que eu quero é um dia viver em um lugar onde eu não conheça ninguém, de preferência que eu nem fale o idioma local. Quero conhecer outros estilos de vida, culturas, idiomas, culinária. Quero não saber como será meu dia seguinte, não ter uma rotina por algum tempo, não saber como, e se, conseguirei dinheiro para voltar para o “meu mundo”. Talvez alguns que irão ler isso e, no íntimo de suas mentes revoltadas e “modernas”, pensarão: “Deixa de ser besta. Tanta gente passando fome, desempregado, doente, que queria ter alguma estabilidade e você querendo trocar isso por algo incerto.” Na verdade não é tão trash quanto possa parecer, não vou dar uma de Christopher McCandless (Into the Wild, assista!) e me isolar do mundo, queimar meus documentos, doar todo o meu dinheiro e viver sem eira nem beira.
Quero a aventura, mas, por outro lado, quero também ter meu porto seguro,  para saber que eu terei para onde voltar quando quiser seguir minha vida e me estabilizar.

“Que sonhador esse Leo.” Concordo, sou sonhador. Mas, um dia meus antepassados maternos sonharam com uma vida melhor e atravessaram o Atlântico atrás disso. Resultado: Podem não ter encontrado riqueza, mas, foram felizes. Meus antepassados paternos sonharam com o dia em que andariam livres, sem serem negociados como mercadoria e há 120 anos alcançaram além da liberdade, o reconhecimento como seres humanos e pessoas dignas (por mais que ainda haja preconceito racial). Um dia, um grupo de pessoas sonharam em levar a Boa Nova a todas as nações, hoje um terço da população mundial reconhece essa Boa Nova como forma e regra de vida. Houve também quem sonhasse com um meio de comunicação que permitisse que o mundo inteiro se “conectasse”... se você está lendo essas loucuras que eu escrevi, é sinal de que deu certo.

Sonho não necessariamente deva ser um sonho. Depende de você e só de você, como vai querer que sua vida siga. Talvez eu não realize nenhum desses sonhos e morra solteiro como funcionário administrativo, morador de Maria Helena. Mas, eu gosto de pensar o contrário, porque eu quero o contrário e isso ninguém tira de mim, por mais que me desanimem. Entre tantos outros objetivos, isso é “o que eu quero da vida.”
E boa sorte pra mim!

O Primeiro!

A idéia, a princípio, era criar um blog para relatar os preparativos da minha Trip. Porém, como ela só ocorrerá em Dezembro de 2012, devido a questões econômico-profissionais (juntar a grana necessária e terminar a faculdade) e eu já estava empolgado com a idéia do Blog, iniciarei esta bagaça.

Como falta mais de um ano e alguns planejamentos podem (e irão) mudar, o Blog também será um local de divagações, recomendações e discussões sobre coisas do dia-a-dia, como Filmes, Livros, Seriados e demais baboseiras.
Com o apoio e incentivo do meu grande amigo Torremo Tolari (conhecido em sua família pelo pseudônimo de Eduardo ou Du) começo hoje, dia 31 de agosto de 2011, esse “diário virtual”. Provavelmente não o atualizarei diariamente, mas não consegui achar um sinônimo para Blog.

Enfim, Benvenuti!