Há uns dois anos, ouvi falar desse filme. Lançado em 2007, sob direção de Sean Penn e com Emile Hirsch no papel principal. Tenho uma lista – literalmente – de filmes que gostaria de ver e o coloquei nela sem pretensão, apenas porque ouvi falar e achei que poderia ser legal, mas quando olhei a ficha técnica e vi que a duração do filme é longa, fiquei apreensivo. Filme longo tem que ser muito bom, senão fica aquela sensação frustrante de que você perdeu parte do seu dia por nada. Poucos dias antes do “estalo” sobre o mochilão, resolvi arriscar e baixei Into the Wild. Mal sabia que seria minha alavanca e um dos melhors filmes que eu já assisti.
O filme, baseado no livro homônimo de Jon Krakauer, que aliás, tem alguns livros que parecem ser muito legais, trata da história real do jovem Christopher McCandless. Um americano que não suportava a hipocrisia e o materialismo da sociedade ao seu redor, até mesmo dentro de sua família, e após se formar doa toda a grana que tinha no banco pra caridade, queima os documentos e o dinheiro que tinha no bolso, “muda” o nome para Alexander Supertramp e sai pelos EUA rumo ao Alasca, sem comunicar ninguém. Ele buscava viver da forma que acreditava ser melhor, desprendido de todo bem material e superficialidades.
Em sua viagem, McCandless, ou Supertramp, atravessa vários estados norte-americanos, de carona e conforme conseguia, trabalhando apenas para sobreviver, em troca de comida e lugar pra passar as noites. Em sua jornada, vai ao México, volta aos EUA, passa alguns dias com uma comunidade hippie e seu último relacionamento social, é com um senhor que o “adota” como neto pelo tempo em que passam juntos. Por fim, alcança seu objetivo: o distante e gelado Alasca. Apesar de toda o desprendimento da vida que levava antes, McCandless estava sempre acompanhado de Thoreau, Tolstoi e outros autores.
Com um final surpreendente e emocionante, não há quem não queira, mesmo que por 15min., fazer o mesmo que Christopher McCandless fez entre 1990 e 1992. Apesar de, ao meu ver, ter sido radical em sua atitude, é indiscutível que sua história seja inspiradora, instigante e admirável.
Digo que o filme me serviu de alavanca, porque foi como o momento ápice em que algo me dissesse “há um mundo maior do que esse em que você vive”. Sem a pretensão de filosofar, ou dar uma de psicólogo, mas acredito que todos vivamos dentro de nossas bolhas, onde o preconceito, o achismo e o conformismo nos impedem de tentar expandir, ou mesm romper esse invólucro.
Já li muitas críticas negativas sobre a atitude de McCandless, basicamente “Como o cara larga uma vida segura em busca de algo subjetivo?! É loucura.” Como eu disse, não faria exatamente igual a ele, porque penso e enxergo as coisas de forma mais branda, mas minha mente me questiona, “porquê não? Por que não buscar uma vida que te deixe feliz, ao invés de aceitar o que te impõem? Ser rico e ostentar suas conquistas! Para quê afinal?”.
McCandless foi corajoso o suficiente para responder a essa inquietação, sensível o bastante para deixar que seu coração o guiasse e louco o suficiente para fazer o que tinha em mente, mas sobretudo, foi autêntico. O filme mostra que ele também descobriu algumas falhas em sua forma de pensar, alguns equívocos, o que o torna, para mim, ainda mais admirável.
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| Christopher McCandless em sua "residência" no Alasca |
Mas, quem sou eu?! vai que eu estou errado não é?
Recomendo muito o filme, a trilha de Eddie Vedder, o vocalista do Pearl Jam, é incrível e a história te fará pensar em várias coisas. Depois talvez você concorde com a visão do cara ou com a minha. Talvez não. Seja qual for o resultado, acredito que terá feito você exercitar o refletir, o ponderar, e é isso que te torna um animal racional.



