Em um desses breves momentos em que se para pra pensar na vida, notei que estava ansioso demais pelo futuro. Me proponho, então, a ir mais devagar e aproveitar o meu presente, que como o próprio nome sugere, é uma dádiva.
Pensando bem, essa cultura de planejar o futuro, pensar no amanhã, nos é, de certa forma, imposta e estimulada desde que nascemos. Mal somos trazidos ao mundo e nossos pais e familiares já sonham com nossos primeiros passos, primeiras palavras. Vive-se o hoje, com um certo desejo de que o amanhã chegue logo. O amanhã não existe. Aliás, no plano espiritual, eu acredito na existência dele, mas no plano real, da vida enquanto matéria, o amanhã é incerteza. Não é algo que se possa garantir, é uma idealização projetada pela esperança latente em nós.
Quando criança, queremos ser jovens, aproveitar a juventude, amizades, namoros, faculdade, carteira de habilitação, festas até altas horas. Romper as barreiras que nos são impostas pela inocência, ingenuidade e tenra idade.
Na juventude, quando estamos vivendo aquele momento que sonhávamos, percebemos que nem tudo são flores. É essa a época das decepções, das angústias, dos corações partidos e de partir corações. Talvez por isso, vem aquele desejo pela vida adulta, estabilidade financeira, sucesso profissional, família para alguns, ser dono do próprio nariz, fazer o que quiser, quando quiser, com quem quiser, onde quiser. Ou pelo menos onde não vá causar (muitos) problemas.
Mas, percebo por experiência própria e pelo que vejo no meu círculo social, que o hoje não basta, hoje é tempo perdido. O agora passa e nem se percebe. Perde-se momentos especiais com quem amamos, até mesmo momentos seu consigo mesmo. Há pressa, correria, o amanhã vai chegar e tudo deve ester perfeito. Não temos tempo de aquietar, parar o que se está fazendo e perceber o caminho que já trilhamos, as dificuldades que já superamos e a beleza da vida à nossa volta. Sempre há beleza, afinal ela está nos olhos de quem vê, não é?! Ainda que haja dor, sofrimento, crueldades, imoralidades e tantas outras coisas que levam muitas pessoas a questionar a bondade de Deus, ou até mesmo, Sua real existência. Eu acredito que sempre, pra tudo, há dois lados e um deles, é bom. É manifestação de Deus.
Posso estar falando besteira, e talvez esteja mesmo, mas eu acredito que, em partes, os males da modernidade, as doenças e as perturbações psicológicas, se devem à falta de interiorização do ser humano, o olhar para dentro de si e contemplar, como criatura, o seu criador. Se acredita em Deus, ore. Se acredita na natureza como força criadora, contemple-a. Se seu ceticismo extrapola o meu entendimento, então apenas admire as belezas do mundo, que convenhamos, são muitas e enchem os olhos. Volte-se para as pequenas coisas que por algum motivo, trazem sorriso e alegria para o seu rosto, sua vida. São clichês, eu sei, mas algo se torna clichê por ser sempre repetido, e se é repetido, é porque é necessário, talvez, porque falte a consciência de algo em nós.
… na verdade, esqueça tudo isso. Quem sou eu para aconselhar algo a alguém? Mais um angustiado com o que Deus ainda vai colocar em minha vida, mais um ansioso pelo futuro. Não se deixe influenciar pela minha filosofia vã, barata e pretensiosa. Não há tempo pra isso. Mas, alguém que, do meu ponto de vista, tem moral para chamar a nossa atenção, disse, certa vez: “O ontem já se foi, o amanhã ainda nem veio. Só temos o hoje. Comecemos.” (Madre Teresa de Calcutá).
Conforme-se, o amanhã, não virá.
L.Belançon
L.Belançon
